
"Lost in Translation" no original, ou "Encontros e Desencontros" aqui no Brasil, é de longe o filme com que eu mais me identifiquei até os dias atuais, e com certeza é o meu filme preferido.
Claro que não vou escrever aqui uma crítica sobre o mesmo. Seria uma chatice total. Todos prometeriam alugar depois, e certamente (nós sabemos) isso nunca aconteceria. Eu para não forçar a barra, não cobraria, então seria totalmente inútil... Não vim aqui para fazer isso. Vim aqui especialmente (agora, logo após ter assistido-o pela milésima vez) para falar um pouco sobre essa identificação que até hoje não entendo muito bem.
Posso dizer que é puramente solidão, ou sentir-se sozinho, entediado. Não somente em casa naquele fim de tarde de domingo que geralmente é uma maravilha (ponha maravilha nisso), mas em todo lugar, em qualquer situação. Até mesmo acompanhado, e neste caso, não ter muito o que falar, ou achar todo assunto sem graça e por isso preferir o silêncio. Estar deslocado, perdido quase que literalmente em seus próprios caminhos. E também (já disse) o tédio.. Principalmente o tédio! Morar numa cidade grande onde se tem tudo para fazer, mas ao mesmo tempo, não se ter nada.
Logo vem o vazio.
É basicamente isso que vi no filme, e é justamente o que acontece comigo. Acontece contigo?
No entanto, vamos nos acostumando a isso. Somos seres adaptáveis (se servir de consolo), e é somente uma simples questão de tempo.
Ouvi dizer que quanto mais nos conhecemos e a medida que vamos descobrindo o que queremos ser ou onde queremos chegar, essas coisas param de nos perturbar. No tédio solitário, aprendemos a encontrar diversão, reparar em detalhes, pequenas coisas e alegrias agudas.
Alívio também temporário, pois no fundo o vazio permanece... E quanto a ele, eu ainda não sei dizer.
