segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Everyone wants to be found.


"Lost in Translation" no original, ou "Encontros e Desencontros" aqui no Brasil, é de longe o filme com que eu mais me identifiquei até os dias atuais, e com certeza é o meu filme preferido.
Claro que não vou escrever aqui uma crítica sobre o mesmo. Seria uma chatice total. Todos prometeriam alugar depois, e certamente (nós sabemos) isso nunca aconteceria. Eu para não forçar a barra, não cobraria, então seria totalmente inútil... Não vim aqui para fazer isso. Vim aqui especialmente (agora, logo após ter assistido-o pela milésima vez) para falar um pouco sobre essa identificação que até hoje não entendo muito bem.

Posso dizer que é puramente solidão, ou sentir-se sozinho, entediado. Não somente em casa naquele fim de tarde de domingo que geralmente é uma maravilha (ponha maravilha nisso), mas em todo lugar, em qualquer situação. Até mesmo acompanhado, e neste caso, não ter muito o que falar, ou achar todo assunto sem graça e por isso preferir o silêncio. Estar deslocado, perdido quase que literalmente em seus próprios caminhos. E também (já disse) o tédio.. Principalmente o tédio! Morar numa cidade grande onde se tem tudo para fazer, mas ao mesmo tempo, não se ter nada.
Logo vem o vazio.

É basicamente isso que vi no filme, e é justamente o que acontece comigo. Acontece contigo?

No entanto, vamos nos acostumando a isso. Somos seres adaptáveis (se servir de consolo), e é somente uma simples questão de tempo.
Ouvi dizer que quanto mais nos conhecemos e a medida que vamos descobrindo o que queremos ser ou onde queremos chegar, essas coisas param de nos perturbar. No tédio solitário, aprendemos a encontrar diversão, reparar em detalhes, pequenas coisas e alegrias agudas.

Alívio também temporário, pois no fundo o vazio permanece... E quanto a ele, eu ainda não sei dizer.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Em Português, Hebraico, Latim ou Inglês?

Era uma sexta-feira à noite. Eu estava na Praça da Liberdade com alguns amigos e conhecidos, tocando, cantando, conversando futilidades, rindo do vento e pouco interessado em olhar para o relógio. Certamente já eram umas 22H quando, meio que do nada, nos surgiu um velho que aparentava estar em torno dos 60 anos e visivelmente bêbado. O que não é nada incomum considerando que BH é a cidade dos bares e que aqui também existem muitos velhos. Porém, aquele velho continha um diferencial que provavelmente vão entender no desenrolar dos fatos.
O Pobre senhor bêbado, depois de uma breve cantoria, começou a falar de sua vida; e falou muitas coisas. Falou que era formado em Teologia, Engenharia Civil e em Geologia; que já esteve na presença de grandes astros do Rock, que já passou 3 dias e 4 noites num submarino (submerso é claro) nas proximidades do Rio de Janeiro, e falou tantas outras... Não sei quantas delas são verdade, mas com a continuidade da conversa, o velho provou ser dono de grande sabedoria. Durante todo o tempo, limitei-me a somente ouvir, deixando as perguntas para o meu amigo (Buzele).
O velho vomitou, desmaiou, acordou, cantou, recitou um poema, recomendou livros e nos contou sobre suas experiências vividas.
Mais ou menos uma hora de papo quando nos despedimos. Foi-lhe perguntado o seu nome, e para provar que nem só os idiotas respondem uma pergunta com uma outra pergunta, mas os velhos, os bêbados, os Teólogos, os Geólogos e também os Engenheiros Civis, o senhor respondeu perguntando: "Em Português, em Hebraico, Latim ou Inglês?"


E agora, depois de tanto tempo, fico aqui pensando na importância de saber seu próprio nome em pelo menos quatro línguas diferentes, e logo ei de saber o meu. Mas penso também nos motivos dele. Quais poderiam ser? O que levara àquele velho, com tanto conhecimento e tal formação, a viver de esmolas, com roupas sujas e rasgadas? A andar por aí sendo apenas um bêbado e a causa de risadas debochadas de pessoas que apenas passam... Talvez seja o antigo dilema da busca da felicidade ou de alguma coisa que a valha. Não sei dizer se ele a encontrou, mas com certeza me ajudou a começar a procurá-la.

Seu nome é Joseph, em Inglês. E ao contrário da maioria, ele permanece, pelo menos até agora...

Opa!

Como devem ter percebido pelo título do blog, eu me chamo Sérgio (óbvio) e estarei por aqui sempre que possível postando coisas sobre coisas. Isto quer dizer que não existe um assunto determinado, que dependerá do dia, do momento exato, do motivo que me faz vir a escrever algo, e blá blá blá blá!

Creio que muitos vão ficar se perguntando se isso não seria uma baita perda de tempo, falta do que fazer, ou algo do tipo. E eu entendo. Talvez seja mesmo. Só que as vezes esta é a alma do (meu) negócio. Escrever quando se está entediado, ou vazio, pois são nesses momentos que as idéias fluem. Por isso muitos se sentem inspirados durante a madrugada, no silêncio, com aquela sensação de que se está sozinho no mundo. Como agora, às 02:17, eu em frente ao Computador ouvindo 'Desire' (Poets of the Fall) preocupado com o horário porque devo acordar daqui a poucas horas para ir à escola. Momentos estes que costumamos dar aquela parada e refletir sobre tudo da vida. Passado, futuro e presente. Tristezas, alegrias, decisões, soluções, vazios, tensões... Tudo, tudo mesmo.
E assim será o meu Blog. Sem um motivo exato de ser, totalmente relativo ao atual momento.

Conto com os comentários de todos que arriscarem por aqui um pedaço de tempo, e torço para que as coisas (todas ou a maioria) agradem.